O que é a doutrina do Juízo Investigativo, pregada pelos adventistas?
Parte 1
Pois bem, como sabemos Willian Miller fundador do
movimento, baseado na leitura de Daniel 8.14: "Ele me
disse: Até duas mil e trezentas tardes e manhãs; e o
santuário será purificado"
, marcou a segunda vinda de
Cristo por três vezes, e como se deu este cálculo? Para
Miller, muito simples, ele interpreta estas 2.300 tardes
e manhãs como anos proféticos, no caso 2.300 anos
[o que é uma falácia, e não condiz com a interpretação
bíblica], ele usa como ponto de partida para a
contagem desses "anos proféticos" o regresso de
Esdras do cativeiro no ano 457 a.C, e daí o raciocínio
dele é no mínimo ilógico, pois ele só faz subtrair 2300
menos 457, então acha o ano de 1843, e diz que Cristo
voltaria a terra, em pessoa neste ano, para purificar o
santuário, que em sua interpretação era a terra, o final
disso todos sabemos, Cristo não voltou, então Miller
diz que errou o cálculo e remarca o dia da volta de
Cristo para 21 de março de 1844, como bem pontua
Raimundo de Oliveira: "O dia aprazado chegou, mas o
tão esperado acontecimento não se deu. Revisando
seus cálculos, Miller concluiu que havia errado por
um ano, e anunciou que Cristo voltaria no dia 21 de
março do ano seguinte, ou seja, de 1844. Porém, ao
chegar essa data, Miller e seus seguidores, em número
aproximado de 100 mil, sofrem nova decepção" (2016,
p. 66). No entanto, Miller não desistiu marcando uma
nova data 22 de outubro daquele mesmo ano, e como
bem sabemos nada aconteceu, e os seguidores de
Miller ficaram desapontados, pois muitos tinham
vendido casas, propriedades, se vestido de branco,
subido aos montes para esperar o retorno de Cristo
e nada aconteceu. E o que ocorreu depois disso?
Miller reconheceu seu erro, confessando que tinha
se equivocado em seu sistema de interpretação da
profecia bíblica (Oliveira, 2016, p. 66). E morreu como
um cristão genuíno, humilde e consagrado (Oliveira,
2016, p. 67). Porém, não podemos dizer o mesmo de
seus seguidores, principalmente Hiram Edson, Joseph
Bates e a grande profetiza do movimento Helen White,
que deram prosseguimento ao pensamento Milerita,
e uma nova roupagem ao movimento; cada um
contribuiu com a teologia da nova igreja em formação,
Joseph introduziu a guarda do sábado, Helen dava
muita ênfase aos dons espirituais, principalmente o
de profecia e Hiram Edson com a "revelação" com
respeito ao santuário celeste. Estes três nomes são
importantes para o estudo da teologia adventista da‐
qui por diante. Mas queremos frisar o de Hiram Edson,
pois é fundamental para o prosseguimento do estudo
da doutrina em apreço, pois foi ele que diz ter recebido
uma "revelação" do santuário celeste, logo após o
grande desapontamento de 22 de outubro de 1844,
dando uma nova interpretação a mensagem de Miller,
como bem enfatiza Raimundo de Oliveira: "Esta nova
interpretação surgiu de uma "revelação" de Hiram
Edson, fervoroso discípulo e amigo de Miller. Segundo
Edson, Miller não estava equivocado em relação à data
da vinda de Cristo, mas sim em relação ao local. Disse
ele que na data profetizada por Miller, Cristo havia en‐
trado no Santuário celestial, não no terrenal, para fazer
uma obra de purificação ali (2016, p. 67). E foi assim
que surgiu a doutrina do Juízo Investigativo segundo
os adventistas, que afirma que Cristo adentrou o santo
dos santos no santuário celeste, somente em 22 de
outubro de 1844, para realizar a segunda etapa da
obra de expiação e purificar o santuário. Afirmam tudo
isto com base nesta revelação de Hiram Edson, que
na verdade revelação não foi, mas sim, uma artimanha
para mascarar o grande vexame e erro de interpre‐
tação bíblica, a fim de que o grupo não viesse a se
desintegrar, e o seu objetivo foi alcançado, mas eles
conseguiram alcançar mais que isso, criaram também
a maior heresia adventista, que é o Juízo Investigativo,
que estaremos tratando em por menores à posteriori.
O que é a doutrina do juízo investigativo pregada pelos adventistas?
Parte 2
A exposição da doutrina
Sabemos que Miller interpretou a profecia de Daniel
8.13-14 de maneira errônea, pois nada aconteceu
como Miller tinha proferido. É neste exato momento
que entra a dita “revelação” tida por Edson, sobre a
qual falamos em artigo anterior anterior. Para Miller o
santuário que Jesus purificaria era na terra; já na visão
de Edson era o celestial. Segundo os adventistas,
Cristo teria intercedido no primeiro compartimento
[ou seja, no lugar santo] do santuário por dezoito
séculos, do ano 33 ao ano de 1844, vindo a entrar
no lugar santíssimo somente no dia 22 de outubro
1844, a fim de realizar uma obra de juízo. Este juízo
necessitaria de uma longa investigação, e é por isso
que o chamam de investigativo. Então nos deparamos
com um dilema: que tipo de investigação seria esta?
O que seria investigado? Para respondermos estas
perguntas, precisamos analisar o que Ellen White
falou sobre o assunto.
Notemos:
A purificação tipológica do santuário terrestre era
efetuada por meio da remoção dos pecados que
o haviam contaminado. Da mesma forma, a real
purificação do santuário celestial deve ser realizada
pela remoção, ou apagamento, dos pecados que ali
estão registrados. Isso requer um exame dos livros de
registro para determinar quem, pelo arrependimento
dos pecados e fé em Cristo, tem direito aos benefícios
de Sua expiação. Portanto, a purificação do santuário
envolve uma obra de juízo investigativo. Essa obra
é efetuada antes da vinda de Cristo para resgatar
Seu povo, pois, quando vier, Sua recompensa estará
com Ele para dar a cada um segundo as suas obras
(Apocalipse 22.12) (WHITE, 2016, p. 64 – grifo nosso).
Analisando a citação acima, podemos fazer duas
observações importantes sobre o pensamento de
Ellen White e consequentemente dos adventistas
em geral. Em primeiro lugar, queremos ressaltar algo
importante: para eles o juízo investigativo que ocorre
no céu é um paralelo daquilo que acontecia no dia da
expiação em Israel anualmente, conforme Levítico 16.
Para Ellen White, nos sacrifícios diários que ocorriam
em Israel, os pecados eram transferidos, mediante
o sangue, em figura, para o santuário, e o mesmo
precisava que estes pecados de lá fossem removidos.
Tais pecados seriam removidos justamente no dia da
expiação, quando aspergido fosse o sangue do bode
expiatório sobre o altar.
Vejamos o que nos diz o livro doutrinário dos
adventistas (Nisto Cremos) sobre o assunto:
Do modo como durante o Dia da Expiação típico a
purificação do santuário removia os pecados que já
se haviam acumulado assim o santuário celestial é
purificado pela remoção final de todos os pecados
registrados nos livros celestiais. Mas antes que
os registros sejam finalmente limpos, serão eles
examinados a fim de se determinar quem, através de
arrependimento e fé em Cristo, está apto a entrar em
Seu reino eterno (GRELLMANN, 2003, pp. 417-418).
O Teólogo Natanael Rinaldi, em um artigo publicado
pelo Centro Apologético Cristão de Pesquisas, escla‐
rece o assunto afirmando que Ellen White interpreta
de forma incorreta o sistema sacrificial quando diz
que os pecados eram transferidos, mediante o sangue,
em figura, para o santuário, durante o sacrifício
diário. Para ele, o erro consiste na suposição feita
por Ellen de que o aspergir do sangue diariamente no
lugar santo poluía o altar, enquanto que o sangue do
bode aspergido sobre o altar purificava o santuário.
Observando este cenário, ele enxerga claramente uma
contradição (Recuperado de: https: www.cacp.org.br.
Acessado em: 14 de Julho de 2017).
A segunda observação que ainda queremos fazer
sobre o pensamento de Ellen White, exposto em
citação anterior, é sobre os livros dos registros.
Compreendermos isso é fundamental para enten‐
dermos como um todo o juízo investigativo, pois é
justamente sobre estes livros dos registros que incide
a investigação que começou a ser realizada por Jesus
em 1844, segundo acreditam os adventistas. White
diz: “Os livros de registro no Céu devem determinar
a decisão do juízo” (1998, p. 285). O que nos chama
a atenção neste sentido é quando ela revela que os
pecados daqueles que professam o nome de Deus
não são apagados, ou seja, segundo os adventistas,
mesmo quando se aceita o Senhor Jesus como único
e suficiente Salvador da sua alma, você não tem os
seus pecados apagados. Eles permanecem mantidos
em registros e só serão apagados depois de uma
investigação por parte de Jesus, para ver se realmente
você se arrependeu dos seus pecados ou não. Em
tese, segundo White,
“[...] é impossível que os pecados
dos homens sejam cancelados antes de concluído o
juízo em que seu caso deve ser investigado” (White,
apud Rinaldi, Recuperado de: https:www.cacp.org.br.
Acessado em 14 de Julho de 2017). Esse juízo investi‐
gativo começou em 1844. Segundo os adventistas, tal
juízo começou primeiramente pelos mortos e depois
pelos vivos (indicando que o julgamento ainda está
em andamento). Vale ressaltar que esse julgamento
é exclusivo para os que professam o nome de Deus.
White nos diz: “os únicos casos a serem considerados
são os do povo professo de Deus” (1998, pp284-285).
Ainda comentando sobre os livros dos registros e
suas consequentes aberturas em 1844, White escreve:
Ao abrirem-se os livros de registro no juízo, é passada
em revista perante Deus a vida de todos os que creram
em Jesus. Começando pelos que primeiro viveram na
terra, nosso Advogado apresenta os casos de cada
geração sucessiva. Cada nome é mencionado, cada
caso investigado. Nomes são aceitos, nomes são
rejeitados. Quando alguém tem pecados que perma‐
neçam nos livros de registro, para os quais não houve
arrependimento nem perdão, seu nome será omitido
do livro da vida. O Senhor declarou a Moisés: “Riscarei
do Meu livro todo aquele que pecar contra mim.”
Êxodo 32.33. Todos os que verdadeiramente tenham
se arrependido do pecado e que pela fé tenham recla‐
mado o sangue de Cristo, tiveram o perdão aposto a
seu nome nos livros do Céu (1998, pp. 286-287).
Fica evidente a posição dos adventistas sobre o
assunto: não se podem ter os pecados apagados
antes de o seu registro passar por uma investigação.
Essa doutrina de que não se pode ter os pecados
apagados no ato da conversão, mas só depois de
um longo julgamento, é, no mínimo, estranha. Assim
sendo, alguns questionamentos são levantados,
como, por exemplo: como saberemos se já não fomos
julgados? Afinal de contas, o juízo investigativo
começou em 1844 (segundo os adventistas), e 173
anos se passaram. Será que já não deu tempo de
julgar a todos? E se já deu tempo, qual foi a sentença?
Condenado ou absolvido? Salvo ou perdido? E como
ficaria o texto de Atos 3.19: “Arrependei-vos, pois, e
convertei-vos, para que sejam apagados os vossos
pecados” [...]? Pois este texto não diz que os nossos
pecados só serão apagados mediante um julgamento,
mas, sim, no momento em que há arrependimento e
conversão, há consequentemente perdão, e os nossos
pecados são apagados. E o que dizer do texto de Je‐
remias 31.34: “[...] porque perdoarei a sua maldade e
nunca mais me lembrarei dos seus pecados”? A esses
e tantos outros questionamentos, essa doutrina rasa e
antibíblica dos adventistas não consegue responder.
Se essa doutrina adventista for levada adiante em uma
sequência lógica, levará às seguintes afirmações: a
expiação realizada por Cristo na cruz foi incompleta, e
os pecados dos homens são lançados sobre Satanás,
que se transforma em co-salvador da humanidade. Es‐
sas afirmações chegam a assustar, mas é exatamente
o que a doutrina do juízo investigativo propõe. Como
se chega a essas conclusões baseando-se nesta
doutrina? É o que será exposto a partir de agora.
O que é a doutrina do juízo investigativo pregada pelos adventistas?
Parte 3
Expiação incompleta, Satanás leva sobre si
o pecado dos homens, Satanás como co-salvador
da humanidade.
Como afirmamos anteriormente se seguirmos
uma sequência lógica da doutrina adventista do
juízo investigativo, chegaremos a três grandes
problemáticas que são: 1. A expiação realizada
por Cristo na cruz foi incompleta, 2. No final das
contas o pecado dos homens são lançados sobre
Satanás, 3. Satanás se transforma em co-salvador
da humanidade. E de que forma chegamos a esta
conclusão? É o que veremos a partir de agora.
A Expiação incompleta:
Acreditamos que chegamos ao ápice do pensamento
adventista sobre o juízo investigativo. Segun
obra final da expiação, preparatória para Sua segunda
vinda. Quando Jesus entrou no lugar santíssimo do
santuário celestial para efetuar essa obra final da
expiação, entregou a Seus servos a última mensagem
de misericórdia a ser dada ao mundo. Essa mensagem
é a advertência do terceiro anjo de Apocalipse 14.
Imediatamente depois dessa proclamação, o profeta
viu o Filho do Homem vindo em glória para ceifar
a colheita da Terra (Apocalipse 14: 14-20) (WHITE,
2016, p. 64. grifo- nosso).
Podemos observar claramente nas palavras de White
que a expiação não foi finalizada na cruz, mas em
1844, quando, segundo ela, Cristo adentrou o lugar
santíssimo no céu, para realizar a obra final da expi‐
ação. Em sua exposição sobre a doutrina adventista
da expiação, o nobre teólogo Raimundo de Oliveira
descreve o raciocínio adventista sobre o assunto:
A expiação de Cristo permanecera inacabada, pois
havia ainda uma tarefa a ser realizada, a saber: a
remoção de pecados do santuário no céu. A doutrina
do santuário levou o Adventismo do Sétimo Dia a
declarar: “Nós discordamos da opinião de que a
expiação foi efetuada na cruz, conforme geralmente
se admite” (2002, p. 75).
No entanto, encontramos no livro doutrinário dos
adventistas “Nisto Cremos” uma parte que fala
sobre a expiação, na qual eles tentam mascarar a
sua crença real sobre o assunto, chegando a dizer
que a expiação foi completada na cruz: “A expiação,
ou reconciliação, foi completada na cruz, conforme
antecipada pelos sacrifícios, e o pecador penitente
pode confiar plenamente nessa obra do Senhor,
concluída” (GRELLMANN, 2003, p. 411). Se não
estivéssemos fazendo uma pesquisa apurada sobre
o assunto, acreditaríamos nesta declaração, porém,
neste mesmo livro, encontramos um pensamento
que se coaduna com o de Ellen White e que, de fato,
representa a opinião dos adventistas sobre o assunto:
“Os adventistas do Sétimo Dia Creem que [...] Em
1844, no fim do período profético dos 2.300 dias, Ele
iniciou a segunda e última etapa de Seu ministério
expiatório” (GRELLMANN, 2003, p. 407 – grifo nosso).
Percebemos uma aparente contradição entre as
declarações, pois o texto é muito claro. Observe que
falam da “segunda e última etapa de Seu ministério
expiatório”. Se houve uma segunda e última etapa da
expiação, que começou em 1844 (ou seja, segundo
eles, a obra de expiação ainda não está acabada, pois
o juízo investigativo ainda não acabou, mas ainda
ocorre no santuário celestial), como podem dizer, ao
mesmo tempo, que a expiação foi “completada na
cruz”? Fica evidente a incoerência das declarações.
Lançando os pecados sobre Satanás
Para os adventistas, o que acontece no juízo inves‐
tigativo, no santuário celestial, é reflexo daquilo que
acontecia anualmente no dia da expiação em Israel.
Nesta ocasião, dois bodes eram tomados pelo sumo
sacerdote para serem apresentados para o sacrifício.
Um deles seria imolado, e o outro seria enviado para o
deserto, o chamado bode emissário, que em hebraico
se chama “azazel”. Segundo a doutrina adventista,
somente um bode era apresentado para o sacrifício
ao Senhor, o qual seria imolado para a purificação do
santuário. Tendo purificado o santuário, o sacerdote
assumia sobre si os pecados que outrora teriam
poluído o lugar santíssimo e os transferia para o
bode vivo. Sendo assim, o bode vivo levaria sobre
si os pecados para fora do acampamento de Israel,
afastando o pecado do meio do povo.
A grande questão aqui gira em torno da forma em
que os adventistas interpretam este texto. Para eles,
o bode expiatório era o símbolo de Cristo, contudo o
bode emissário ou azazel era o símbolo de Satanás.
Dizem isso claramente em seu livro Nisto Cremos: O
exame cuidadoso de Levítico 16 revela que Azazel
representa Satanás, e não Cristo, conforme alguns têm
imaginado [...] Portanto, na compreensão da parábola
do santuário, é mais coerente ver o bode do Senhor
como símbolo de Cristo e bode emissário – azazel
– como símbolo de Satanás (GRELLMANN, 2003,
p. 415). Seguindo a lógica desse pensamento, se
Satanás era representado no ritual do dia da expiação
pelo bode “azazel”
, e se este bode levaria sobre si os
pecados do povo, logo entendemos que, segundo os
adventistas, no plano da redenção, Satanás é quem
leva os pecados sobre si. É exatamente isso que Ellen
White diz: O sacerdote, ao remover do santuário os
pecados, confessava-os sobre a cabeça do bode
emissário. Cristo colocará todos esses pecados sobre
Satanás, o instigador do pecado. O bode emissário
era enviado “a terra solitária”. Levítico 16.22. Satanás,
levando a culpa de todos os pecados que levou o
povo de Deus a cometer, estará durante mil anos
circunscrito à terra desolada, e por fim sofrerá a pena
no fogo que haverá de destruir a todos os maus.
Assim o plano da redenção atingirá seu cumprimento
na erradicação final do pecado (1998, p. 288).
E quando é que Satanás levará sobre si os pecados?
Segundo os adventistas acreditam, será no retorno
de Cristo à terra, quando Cristo terminará a obra de
expiação no santuário celestial. Em Seu retorno, os
salvos irão ascender para a companhia do Senhor; os
ímpios serão destruídos, e a terra ficará solitária, sem
habitantes humanos durante algum tempo. É baseado
nesse pensamento que eles concluem que Satanás,
em comparação com o bode emissário que fora
enviado ao deserto, permanecerá durante mil anos
nesta terra desolada (GRELLMANN, 2003, p. 473).
Eles enxergam essa doutrina que expõe Satanás
como aquele que leva os pecados sobre si como
uma forma de punição para o mesmo. Notemos
a declaração a seguir:
Similarmente, Cristo, no santuário celestial, tem
ministrado os benefícios de Sua completa expiação ao
Seu povo; em Seu retorno Ele os redimirá e lhes dará a
vida eterna. Quando Ele houver completado Sua obra
de redenção (para eles a obra de redenção, não fora
realizada de uma vez por todas na cruz, mas ainda
será completada) e purificação do santuário celestial,
colocará os pecados de Seu povo sobre Satanás, o
originador e instigador do mal [...] Assim como o bode
emissário era conduzido ao deserto por um “homem à
disposição para isso”
, assim Deus banirá Satanás para
a Terra desolada e desabitada [...] (GRELLMANN, 2003,
p. 473 – acréscimo nosso).
Fica evidente a opinião adventista sobre o assunto
em apreço: eles acreditam que Cristo colocará os
pecados sobre Satanás como uma forma de punição
por ele ser o originador e instigador do mal.
Satanás como co-salvador
Chegamos aqui a um ponto bem polêmico, pois os
adventistas negam que sua doutrina transforma
Satanás em co-salvador. Eles chegam a dizer:
“De nenhuma forma se pode dizer que é Satanás
quem efetua a expiação pelos pecados dos crentes
[...]” (GRELLMANN, 2003, p. 473). Dizem isso porque
sabem claramente que, se ele participa ou efetua
a expiação pelos pecados, o mesmo passa a ser
co-salvador. Todavia quando adentramos a teologia
adventista, sabemos muito bem que eles colocam
Satanás no cenário da expiação, quando afirmam que
ele representa o bode emissário do dia da expiação
em Israel. Como vimos, este bode levava sobre si os
pecados do povo, ou seja, segundo eles, Satanás, no
final, levará sobre si os pecados dos crentes, como
vimos em tópico anterior. O pastor Esequias Soares
discorrendo sobre o assunto escreve: “Os adventistas
dizem que o bode emissário, do dia da expiação,
representa Satanás. Assim, os adventistas colocam
Satanás como co-autor da redenção” (2002, p. 297).
Portanto, fica muito claro que a doutrina da expiação
adventista transforma Satanás em co-salvador,
embora eles neguem, dizendo que, na verdade, ele
deve ser responsabilizado por todos os pecados que
levou os salvos a praticarem. Sabemos, no entanto,
que a sequência lógica do pensamento adventista
conduz à seguinte afirmação: “Satanás é co-salvador”.
Embora neguem que acreditem nisso, a sua teologia
prova o contrário.
Por Ginetom Gomes

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