HUMANIDADE E DIVINDADE DO FILHO
DE DEUS
Jesus – Um homem histórico ou mítico?
Antes de
analisarmos a divindade do filho de Deus, vamos analisar um pouco sobre sua
Humanidade. Muitos aceitam os ensinamentos contidos nos evangelhos sobre Jesus,
mas não acreditam que de fato houve um homem chamado Jesus, historicamente
falando. Dizem Que o Jesus histórico foi uma construção ideológica da igreja do
primeiro século. Desse modo, o enredo de toda história de Jesus foi um Mito. Um
mito que narra o drama da raça humana e seus pecados, em contrapartida com um
salvador que veio libertar essa raça caída de sua pecaminosidade. Então, Jesus
de fato não existiu. Mais isso não faz a mínima diferença, dizem eles. O
importante é a mensagem e não o mensageiro.
“O Filósofo
Bertrand Russel, em seu ensaio, “por que não sou Cristão”, afirma: É bastante
duvidoso do ponto de vista histórico que Cristo tenha de fato existido, e, se existiu nada sabemos sobre ele”.1 Nada mais absurdo do que essa afirmação. É muito
difícil encontrar hoje em dia pessoas bem informadas historicamente que
concordem com essa alegação do Russel. Apesar disso, de vez em quando aparece
alguém que concorda com Bertrand, mesmo diante de tantas evidencias que provam
que Jesus de fato existiu.
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A historicidade de Jesus não é só
comprovada pela bíblia, mais, autores seculares, inimigos do Cristianismo,
fontes judaicas e escritores cristãos do I ao III Século, afirmaram
taxativamente que existiu um homem chamado Jesus, e que este se intitulava
filho de Deus; e que muitos dos seus seguidores o adoravam como se ele fosse
Deus.
1 Josh McDowell. Novas evidencias que demanda um veredito. P.279
Historiadores seculares como, Cornélio
Tácito (55-120 d.C.). Reconhecido entre os estudiosos pela ‘integridade moral e
bondade’ disse que: Christus, o que deu
origem ao nome cristão, foi condenado à morte por Pôncio Pilatos, procurador da
Judéia no reinado de Tibério.2 Apesar de não ser cristão, seus relatos confirmam que de fato
houve um homem na história conhecido como o Cristo e, adorado por muitos dos
seus seguidores.
Outros como
Luciano de Samósata II Sc. Suetônio, historiador romano; Plínio o Jovem (112
d.c.), Talo 52dc. Flegão, dentre outros. Sem falar das diversas referencias
judaicas sobre a historicidade de Jesus. Por exemplo, um dos maiores
historiadores judeu, Flavio Josefo, escreve no seu livro antiguidades judaicas:
Por essa época surgiu Jesus, um homem sábio, se é que é
legitimo chamá-lo de homem, pois operava obras maravilhosas, era um mestre que
fazia as pessoas receberem a verdade com prazer. Ele congregou junto a si
muitos judeus e muitos gentios. Ele era o Cristo, e quanto Pilatos, por
sugestão dos principais líderes dentre nós, condenou-o à cruz, os que desde o
início o amavam não o abandonaram; pois ele tornou a aparecer-lhes vivo ao
terceiro dia, tal como os profetas de Deus haviam predito, essas e mais 10 mil
outras coisas maravilhosas a seu respeito. E a tribo dos cristãos, que tem esse
nome por causa dele, existe até hoje. (Antiguidades xviii. 33) 3
Todos eles
deixaram registrados em seus livros, elogios, admiração, críticas e ataque
contra o cristianismo e seu Cristo. Tudo isso são evidências que o filósofo
Russell, e todo aquele que pensa como ele, precisava ter o mínimo de leitura de
história antiga, antes de dizerem taxativamente que Jesus não existiu.
Eddwin Yamauchi,
professor de história da Miami University, afirma que temos mais e melhor
documentação histórica referente a Jesus do que qualquer outro fundador de
religião (por exemplo, Zoroastro, Buda e Maomé). Com respeito às fontes extras
bíblicas que testificam de Cristo, Yamauchi conclui:
Mesmo que não tivéssemos o Novo Testamento nem os escritos
cristãos, poderíamos concluir, a partir de fontes não cristãs, como Josefo, o
Talmude, Tácito e Plínio, o
Moço, que: (1) Jesus foi um rabino judeu; (2) muitas
pessoas criam que ele realizava curas e exorcismos; (3) ele foi rejeitado pelos
líderes judeus; (4) foi crucificado por ordem de Pilatos, no reinado de
Tibério; (5) não obstante sua morte vergonhosa, seus seguidores, que acreditavam
que ele ainda estava vivo, espalhou-se para além da palestina, de modo que
havia multidões deles em Roma em 64 d.C.; (6) todo tipo de gente, nas cidades e
no campo – homens e mulheres, escravos e livres - adorava-o como Deus no começo
do Século II (Yamauchi, JUF, pp.221-222).4
O Jesus histórico
está presente nos escritos de cristãos e ateus, crentes e agnósticos, filósofos
e teólogos. Está presente nos mais diversos tipos de literatura, de modo que;
se fosse possível, como se com um super-imã, arrancar da história todo pedaço de
metal que contem pelo menos vestígios de seu nome, quanto sobraria? Acredito
que pouca coisa, e essa pouca coisa que sobraria não seria suficiente para
viver e ter a compreensão que temos hoje de política, filosofia, história,
cultura etc.
Um exemplo disso
é a próprio ocidente. Concepções de trabalho, universidade, direito e tudo mais
que temos hoje, foi influenciado e muito por pessoas que criam e defendiam o
Cristo, Filho de Deus como padrão universal de uma vivenciabilidade ética.
A encarnação do filho de Deus.
João
capitulo 1 nos diz:
No
princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele
estava no princípio com Deus.
Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e, sem ele, nada do
que foi feito se fez.
A vida estava nele e a vida era a luz dos
homens.
A luz resplandece nas
trevas, e as trevas não prevaleceram contra ela.5
NA Bíblia
parafraseada por Eugene H. Peterson; A Mensagem, está escrito:
Antes de tudo, havia a Palavra, A palavra presente
em Deus, Deus presente na palavra.
A palavra era Deus,
Desde
o princípio à disposição de Deus. Tudo foi criado por meio dele;
Nada –
nada mesmo! - Veio a existir sem ele.
O que veio à existência
foi a Vida,
E a vida era a Luz pela qual se devia viver. A luz
da Vida brilhou nas trevas;
As trevas nada puderam fazer contra a luz.6
E então, entendeu alguma coisa?
Confesso que fiquei um pouco confuso com esses versos. Vejam só!
No princípio era o... Calma...
Princípio de que? O que significa princípio? Princípio (do latim principium)
significa o início, fundamento ou essência de algum fenômeno. Na filosofia, é
uma proposição que se coloca no início de uma dedução e que não é deduzida de
nenhuma outra proposição do sistema filosófico em questão. Sei que ficou pior,
então esquece filosofia. O que nos interessa aqui é que no princípio o Verbo,
que é o Cristo estava com Deus, e esse mesmo verbo era Deus. Então, no
princípio, antes de qualquer princípio o Verbo existia. Estamos falando aqui de
Eternidade, mais eternidade não tem princípio! Acontece que a bíblia é a
palavra de Deus se rebaixando a compreensão humana, e nesse rebaixamento, para
que o homem compreenda alguma coisa, o Deus da palavra se revela através das
palavras dos homens, na linguagem que os homens se comunicam.
Era
o Verbo. Verbo você conhece. Quem nunca estudou, por
exemplo, as diferenciações verbais nos tempos, passado, presente e futuro? Nada
a ver cara! Eu sabia que vocês iriam falar isso. Você tem razão. Não estamos
falando de
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A Mensagem. João 1.1-5
conjugações verbais da gramática portuguesa. Estamos
falando de um Verbo que é igual a uma pessoa. Aliás, esse verbo é uma pessoa.
Mas especificamente a segunda pessoa da Trindade.
O verbo, ou
Logus, palavra que teve sua origem na filosofia de Heráclito, com significado
completamente diferente do que temos em João, é algo que ninguém compreende, é
um outro completamente diferente de nós. É inatingível pela experiência humana,
indefinível. Chame do que você quiser: energia do universo, deus, força
espiritual etc. algo que ele jamais pode ser, é ser relacionável com a
humanidade.
O Logus era o que
estava por trás de todas as coisas existentes. Por trás do cosmos tinham um
poder, uma força, um princípio, a arché de todas as coisas. Então chega João e
diz: escuta aqui pessoal! Isso daí que vocês chamam de Logus, principio que
está por trás de tudo, que dá ordem ao universo, ele esteve entre nós, nós o
vimos, pegamos nele. Ele é Deus, Veio de Deus. Fez-se homem e tabernaculou
entre nós.
Quando João vem
com essa ideia de que o Logus veio a terra encarnando-se como homem, os
filósofos gritaram: é loucura! Deus o totalmente transcendente jamais se
contaminaria com carne humana. Afinal de contas a carne é má, e o Divino é o
totalmente bem. Na linguagem de Platão: o Belo em si. E para ter acesso a esse
mundo ideal, só morrendo. Por isso que na filosofia grega, filósofo de verdade
é aquele que tem amor pela sabedoria, e a verdadeira sabedoria está para além
da subjetividade desse Mundo. É por isso que o objetivo maior de um amante do
saber é a morte. Pois morrendo ele viverá e verá o mundo supra-urânio, o mundo
das ideias, onde existe o ideal de bem, de belo, de bom, do divino e de tudo
que existe como cópia nessa existência.
A encarnação Do filho de Deus é algo
que a mente humana não consegue captar em sua essência. Pense bem no que
aprendemos em um texto anterior7. Falamos da trindade. Três
pessoas, um único Deus. E essas três pessoas são constituídas de uma mesma
essência, de uma mesma natureza. Um único Deus, uma única essência, porém três
pessoas diferentes.
Entendeu? Se não entendeu,
tente entender o mistério da divindade de
cristo!
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7 http://teologart.blogspot.com/2019/09/o-drama-da-doutrina-da-trindadeparte-1.html
O filho de Deus, tendo a mesma
natureza, a mesma essência do Pai e do Espírito Santo. Agora, aparece a nós
tendo duas naturezas, a divina e a humana. Como assim? Se a Trindade tem uma
única natureza, como uma pessoa da Trindade aparece tendo duas naturezas diferentes?
Formulando melhor - enquanto que na
Trindade são três pessoas e uma única
natureza, em Jesus temos duas naturezas e uma mesma pessoa. Acontece que esse
mesmo Jesus que participa da mesma natureza do Pai e do Espírito, agora aparece
com duas naturezas; a humana e a divina. Simples assim! Sabia que você iria
ficar com essa cara de desesperado. Não, não é tão simples assim.
Mas vamos com calma. Não conseguiremos
entender o mistério da divindade de Cristo em sua inteireza, mas podemos nos
maravilhar com tão grande revelação que Deus nos deu enviando a nós seu filho.
A divindade de fraudas.
Se nós achamos tudo isso difícil
imagina para os discípulos, para aqueles que presenciaram um homem comum como
eles dizendo ser o filho de Deus? Entre todas as pessoas, eles eram os que
tinham a menor probabilidade de acreditar que Jesus era Deus. Imagine os
discípulos dormindo ao ar livre, olhando as estrelas junto de nosso Senhor numa
noite de verão, perto do mar da Galileia!
Posso imaginar Pedro, João ou qualquer
um dos outros caminhando pela noite, apoiando-se no cotovelo e, ao ver o Senhor
Jesus dormindo e roncando ao lado deles, dizer a si mesmo: “Isso é mesmo
verdade? Esse homem pode ser o Deus eterno?
Imagine o criador do Mundo que com as suas mãos criou todo
o universo, está numa manjedoura sendo
segurados pelas mãos de Maria! O Deus que a todos sustenta sendo sustentado
pelo leite materno de uma mulher! A Divindade que criou o ser humano usando
frauda. Por isso que falei que, se você não for atingido pela sobrenaturalidade
da revelação divina, você não conseguirá jamais aceitar que aquele homem que
viveu em Jerusalém era filho de Deus.
O apostolo Paulo, que se tornou
discípulo de Cristo depois da sua crucificação e ressurreição, escreveu:
“Jesus é a imagem do Deus
invisível, o primogênito de toda a criação, pois nele foram criadas todas as
coisas nos céus e na terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos ou
soberanias, poderes ou autoridades; todas as coisas foram criadas por ele e para
ele. Ele é antes de todas as coisas, e nele tudo subsiste. Colossenses 1.
15-17.
Ele criou o Mundo séculos antes de
entrar nele como um bebê. Nascido no estábulo de uma pequena aldeia chamada
Belém. Quem é esse? Ele é Jesus de Nazaré. Ele é Deus em carne humana. Foi
assim que ele se apresentou ao mundo, e por fim, é assim que devemos aceita-lo
ou rejeitá-lo.
Por enquanto é melhor pararmos por
aqui. No nosso próximo encontro iremos continuar falando sobre esse assunto
deslumbrante, dessa feita para analisarmos e pensarmos um pouco sobre a auto
esvaziamento do filho de Deus, e o trilema consequencial implícito que a figura
do Cristo desafia a mentalidade de todos os homens.
MARANATA!
Referências
bibliográficas.
McDowell, Josh.
Novas evidências que demandam um veredito. São Paulo, Hagnos, 2013.
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Jonas.
Inteligência Humilhada. São Paulo, Vida Nova, 2017. Cairns, E. Earle. O Cristianismo através dos Séculos. São Paulo,
Vida Nova, 2013.
Chafer,
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Volume 1-4. São Paulo,
Hagnos,
2013.
Brisson,
Luc. Introdução
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2013. McKiranhan, D. Richard. A
Filosofia antes de Sócrates. São Paulo Paulus, 2013
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R. N. Enciclopédia
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W.
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Senhor Jesus Cristo. Devoção a Jesus Cristo no cristianismo primitivo. São
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Bruce. Cristo Jesus. Reflexões teológicas sobre a humanidade de Cristo. São
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Charles Swindoll.
Jesus o maior de todos. São Paulo, Mundo Cristão, 2012.
FábiO, Caio. O caminho do discípulo. Brasília, prólogos, 2010.
http://teologart.blogspot.com/2019/09/o-drama-da-doutrina-da-trindadeparte-1.html,
Por Ezequiel Soares

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