Pneumatologia na patrística.
Altair Germano , editora Palavra Fiel, Cuiabá 2020.
Altair
Germano é pastor e conferencista. Mestre em Teologia, especialista em educação
cristã e psicopedagogia, e graduado em pedagogia. Altor de vários livros
publicados, dentre eles: Batismo no Espírito Santo (Palavra Fiel). O líder
cristão e o hábito da leitura (CPAD). Pedagogia Transformadora (CPAD). O perfil
de Sete Líderes (Arte Editorial). E a educação teológica nas Assembleias de
Deus no Brasil (Editora Alive).
Nesse
livro, o autor vai debruçar sobre o que os pais da igreja pensaram sobre o
Espirito Santo. Trazendo principalmente para o público pentecostal, uma
importante ferramenta introdutória sobre a terceira pessoa da trindade na perspectiva
patrística. O livro se divide em quatro partes, baseando-se em textos
selecionados, relatando o que os diversos pais da igreja entenderam e
escreveram sobre o Espirito Santo, do século I ao IV. Através dessa leitura
você terá acesso a diversos nomes da fé cristã, que nos primórdios do
cristianismo deixaram para nós relatos importantíssimos sobre o Espirito Santo.
Destacarei apenas alguns.
No
século I Temos o Didaqué ou ensino dos doze apóstolos, cuja autoria é incerta,
mas que relata a crença de algumas doutrinas, dentre elas sobre a pessoa do
Espirito Santo. Apenas duas menções são relatadas: a primeira relacionada ao
batismo nas aguas onde o batismo deve ser (independente do ritual) realizado em
nome do Pai, do Filho e do Espirito Santo; a Segunda menção é sobre a
inspiração que vem sobre aquele que profetiza, onde é o Espirito Santo quem
inspira tal profeta. Embora sendo de forma embrionária, é possível ver na didaqué o
destaque dado ao Deus Espirito. Clemente de Roma, um dos candidatos a escrever a epístola aos hebreus no contexto do século I, escreve uma carta aos irmãos
de Corinto, e dentre outras temáticas também fala sobre O Espirito Santo.
Dizendo ser o Espirito quem inspira e derrama de si na comunidade cristã,
purificando a vida dos irmãos de todo pecado. É o espirito Santo quem
santifica. A presença poderosa do Espirito confronta a vida carnal que muitos
estavam vivendo. A vida de todo cristão deve ser baseada na palavra de Deus,
palavra essa que foi inspirada pelo Espírito. Ele ainda recomenda a leitura e
prática das cartas paulinas, considerando-as como inspirada por Deus. Portanto
vemos em Clemente, na abordagem que ele faz a respeito do Espírito Santo, uma
sintonia com os escritos do Novo Testamento.
Nos
escritos do século II, destaco os escritores:
Inácio de antioquia, que
escreveu sete cartas as igrejas da época, dentre elas a igreja de Éfeso e de
Roma. Em suas cartas é possível perceber um amadurecimento teológico sobre a
pneumatologia. O Espírito é descrito como
“a corda que levanta as pedras que edificam o templo do pai nos crentes de
Éfeso. ” Pag.29. É o Espirito quem
torna a igreja de Cristo incorruptível e sem mácula e renova em nós a esperança
na vida futura. Sem o Espitiro na vida do homem ele não pode praticar obras
espirituais, da mesma forma que os espirituais não praticam as obras da carne. O pastor de Hermas, obra de gênero
apocalíptico traz diversas citações sobre o Espirito Santo, no entanto, sua
pnematologia é considerada muito confusa, pois não dá para ter certeza se o que
ele escreve é sobre o Espirito Santo ou o Cristo, visto que há variações em
suas citações, misturadas com elementos místicos, dificultando o entendimento
do leitor que não tem conhecimento dos conceitos místicos da época. Mesmo assim
existem conceitos que são assimiláveis por qualquer um. Quando ele fala, por
exemplo, que o Espirito Santo é quem capacita os apóstolos e doutores a viverem
uma vida de justiça e verdade, e ao dizer que é o mesmo Espírito quem habita
nos cristãos capacitando-os a viverem uma vida de santidade. Outras obras
citadas no século II São: Justino de Roma, Atenágoras, Teófilo de Antioquia e
Irineu de Lião.
No
Século III Temos outros Pais que também contribuíram no progresso teológico da
pneumatologia, como Hipólito, Tertuliano, Novaciano, Clemente de Alexandria e
Orígenes. Mas quero destacar apenas Tertuliano. Portador de uma extraordinária
retórica e uma capacidade lógica de argumentação, Ele foi considerado o
primeiro apologeta latino. Defendendo as doutrinas cristãs contra as heresias
que desde cedo estiveram como parasita na comunidade cristã. Ele quem escreveu
um excelente tratado sobre a Trindade, o primeiro a utilizar o termo trinitas.
Ele também foi o primeiro a combater e rejeitar a ideia que muitos tinham sobre
a trindade, considerando-a como uma única identidade manifesta em três formas:
Como Pai, Filho e Espirito Santo. Veja que as ideias unicistas sobre a
divindade já estavam presentes na igreja primitiva, mas Deus sempre levantou
homens para destronar todas essas heresias, cujo objetivo era minar a fé dos
irmãos no verdadeiro Deus, e a figura de Tertuliano foi fundamental na luta
contra os hereges. Infelizmente foi sua adesão ao montanismo, movimento
considerado como portador de uma nova revelação ou nova profecia. É também no
montanismo que a questão sobre as línguas estranhas pode ser, desde cedo,
debatida.
Por fim, o Altair fala sobre os personagens do Seculo IV que contribuíram com a teologia do Espirito Santo, dentre eles: Eusébio de Cesareia, Atanásio, Gregório de Nissa, João Crisóstomo e Agostinho. É na pneumatologia Eusebiana que vemos com mais intensidade a questão do subordinacionismo na trindade, ao ponto de ele levar ao estremo as implicações subordizacionista e considera o Espirito Santo como a terceira pessoa da trindade inferior ao Pai e ao Filho, não sendo Deus nem Filho, mais um ser que veio a existência através do Filho. Uma viagem teológia que distorce completamente o conceito bíblico sobre subordinação na economia trinitária. Enquanto que para eusébio o Espirito é inferior a Deus, para Atanásio a Trindade completa-se no Espírito. Se o Espirito Não for Deus, Não existe Deus, muito menos Trindade. Portanto quem nega o Espirito como Divino, nega o Filho, e negando o Filho automaticamente nega o Pai, nega ao DEUS TRINO. O Espirito Santo é Deus. É ele quem dá dons aos homens para que esses homens sirvam a Deus e aos homens. E esses dons ainda estão disponíveis para todo aquele que faz parte do corpo de Cristo. Mais para Crisóstomo, os dons de profecia e de línguas foram introduzidos em razão da Fé, e, sendo está fé já proclamada em toda a terra, eram desnecessários sua utilização na comunidade cristã. Portanto para ele a manifestação do carisma de falar em línguas e profetizar, era considerado como ultrapassado. É por isso que muitos vão considera-lo como um dos pais do cessacionismo.
Agostinho considerado o último pai da igreja, foi quem elaborou a mais
densa obra literária sobre a Trindade. O tratado sobre a Trindade foi fruto de
dezesseis anos de estudo. Um extraordinário monumento teológico e filosófico.
Um teólogo indispensável para conhecer as doutrinas cristãs na época da
patrística.
Para
quem está procurando uma introdução sobre o que os pais da igreja falaram sobre
o Espirito Santo, indico esse livro. Através dele, consultando as citações e as
referências bibliográficas, é possível se aprofundar mais nesse período
histórico que é elementar para a vida intelectual de qualquer estudante da
palavra de Deus. Que esse mesmo Espirito nos ilumine e nos guie em todas
dimensões da nossa existência.

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