QUEM É ESSE?
A maioria das pessoas diz acreditar no filho de Deus; Pelo
menos, todos os domingos, milhares e milhares de pessoas se reúnem em um
ambiente para adorar a alguém denominado Jesus. Muitos fazem disso seu maior
propósito de vida. Jesus é clamado num culto cristão ou num terreiro de
macumba, tem jesusis para tudo quanto é gosto. Tem o jesus que para a chuva
para não atrapalhar o casamento, tem o jesus que me faz perder o ônibus ou o avião
para me livrar de um acidente; tem o jesus dos “dizimistas” que destrói
os gafanhotos e todos os insetos dos infernos por causa da sua fidelidade aos
dez por cento; tem o jesus que para céu, para terra, para mar, abre porta onde
não tem parede para dar vitória ao “crente fiel”, ( e crente fiel nesse
contexto, é aquele que comparece a todos as reuniões em nome de jesus na agenda
da igreja. É aquele que cumpre todas as normas estabelecidas por uma liderança
eclesiástica, etc.); Tem o jesus da teologia da prosperidade que arranca o
dinheiro dos ímpios para dar aos que estão do lado Dele; tem o jesus vingativo
que fica à espreita lhe vigiando, aguardando o momento exato do seu pecado para
lhe castigar; tem o jesus que em um incêndio ou catástrofe natural deixa todo
mundo morrer exceto os crentes... É mais jesusis do que demônios.
Mas, quanto ao Jesus apresentado nos evangelhos? O Filho de
Deus, Deus de Deus, Senhor dos senhores, Rei do universo, o Verbo encarnado?
Quem é Jesus de fato? Será que ele tem alguma semelhança com esses jesusis que
a grande maioria diz adorar?
O nosso estudo começa a partir da leitura de Mateus 16: 13
a 17.
Chegando
Jesus à região de Cesaréia de Filipe, perguntou aos seus discípulos: "Quem
os homens dizem que o Filho do homem é? "Eles responderam: "Alguns dizem
que é João Batista; outros Elias; e, ainda outros, Jeremias ou um dos
profetas”. "E vocês?”, perguntou ele. "Quem vocês dizem que eu sou?
"Simão Pedro respondeu: "Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”.
Respondeu Jesus: "Feliz é você, Simão, filho de Jonas! Porque isto não lhe
foi revelado por carne ou sangue, mas por meu Pai que está nos céus.[1]
“Quem os homens dizem que o Filho do homem é? Quem vocês
dizem que eu sou?” Essas perguntas foram feitas aos discípulos, que vinham
andando com cristo no caminho há algum tempo, presenciando seus milagres,
curas, exorcismos, controle sobre a natureza e sobre a morte. Próximo a sua
morte surge essas perguntas.
Não estamos falando de algo que acontece em um lugar de
reuniões, em um espaço confinado, em um templo no domingo à noite. Pois o
evangelicalísmo pósmoderno nos traz a idéia de que seguir a Jesus acontece no
momento em que se aceita a Ele como único e suficiente salvador. É uma decisão
única que se realiza quando o pregador ao final da pregação faz um convite
dizendo: A primeira alma? Pronto, Está feito! Você fez a melhor decisão da sua
vida. Deus escreveu seu nome no livro da vida; e por aí vai...
Então o pecador arrependido pergunta: O que faço agora que
aceitei? Nossa resposta na maioria das vezes é: siga as orientações que o
apóstolo lhe mandar, que o pastor, o presbítero ou o professor do discipulado
lhe prescrever. E a maioria das prescrições se restringe na base do
comportamentalismo. Se antes usava um tipo de roupa, agora usa outra, afinal de
contas você é crente, e crente não usa roupas do mundo. A moda é diferente. Se
antes falava de um modo, agora fala de outro. As mudanças na grande maioria são
controladas por um simples padrão estético. Se aceita a Jesus, mas caminham
pelos trilhos da religiosidade onde Jesus geralmente não anda.
Nos
evangelhos, a decisão de segui-lo não acontece em um único momento. É uma
caminhada sem fim. É um convite para todos os momentos. Entre a hora que você
acorda até a hora que você dorme. É algo para toda a vida, sem interrupções,
sem férias, sem dias santos. É uma jornada sem paranóia e sem neurose, de modo
que todo dia, muitas vezes por dia, teremos de trazer, os pensamentos, as
emoções, nossos desejos, tudo, ao crivo do Evangelho, à Palavra da Vida.
Portanto, qualquer que se diz discípulo de Cristo, tem de
responder essas perguntas que Ele falou. “Quem os homens dizem ser o filho do
homem? ”
Para muitos Ele é
João Batista: Uma reencarnação. No Espiritismo é assim. Jesus é um homem
evoluído que por causa da sua obediência as leis divinas, o Cristo de Deus veio
habitar nele. Para o pensamento da nova era Jesus é apenas um guru espiritual,
um exemplo a ser seguido.
Tu és Elias. Uma
boa parte da cristandade ainda pensa em Jesus como o Elias, o profeta que orou e
choveu, que orou e caiu fogo dos
céus matando os soldados. Então, muitos oram ao “jesus-elias”, para ele tacar
fogo na cabeça dos seus inimigos. Afinal de contas mexeu comigo, mexeu com
papai. E quando papai lhe pegar! Hum! Quero nem falar. Toca no ungido para tu
ver!
Outros têm Jesus como
Jeremias, ou qualquer um dos profetas. Jesus não passa de um profeta. Um
profeta que está ao meu serviço, a atender as prioridades agendadas na vida do
seu servo, que sou eu, temente e fiel a Deus. É o jesus fabricado pela
mentalidade doentia dos religiosos, que não passa de um anjo da guarda, como é
formulado pela igreja católica.
Para seguir a Cristo é preciso se desvencilhar das várias
interpretações que a multidão diz ter dele...
A pergunta Crucial
E vós quem dizeis
que eu sou?
Jesus olha
para os seus discípulos e faz a pergunta mais importante da história. Pois de
acordo com a resposta que você der a essa pergunta, você estará se relacionando
com o verdadeiro Filho de Deus, ou, um jesus fabricado pela sua própria
neurose.
Jesus então diz: Mas agora eu quero saber o que vocês, os
enviados, os apóstolos, os discípulos, esses que eu estou enviando para pregar,
dizem quem eu sou. Olhe bem e digam quem eu sou, mas não dêem uma resposta
evangélica.
E qual seria uma resposta evangélica? Ah, o Senhor é filho
de Maria. E ela era virgem quando o Senhor nasceu. E vieram anjos e cantaram;
vieram magos do Oriente. O Senhor nasceu em Nazaré.
Não! A pergunta de Jesus não era sobre genealogia, currículo
ou pedigree. A pergunta era simples: “E
vós, quem dizeis que eu sou?” Quem sou eu para vocês? E Pedro tomou a
palavra e disse: tu és o Cristo, o Messias, o prometido, aquele enviado que
viria da tribo de Judá. És a promessa cumprida a Davi de que, da sua descendência,
viria aquele cujo reino é eterno. Tu és o eco do grito de Miquéias de que viria
o Cristo, cujas origens eram antes da fundação dos tempos. Tu és o sonho de
Isaías, o amor e a paixão de Deus entre os homens, o Messias, o enviado de
Deus. Tu és o filho de Deus, que em Israel era equivalente a dizer: Tu és Deus.
“Quando Pedro diz: ‘Tu és o Messias”, até aí tudo bem. Ainda
que alguém não concordasse, era uma esperança em Israel que alguém o fosse. Mas
Pedro vai além, ele diz: Tu és o Cristo, o Filho do Deus Vive. Tu não és um
messias que veio salvar Israel dos seus problemas políticos com Roma. Tu és o
Cristo de Deus. Tu és Deus. Deus encarnado. Deus conosco.
E Jesus diz: Simão tu és um homem bem-aventurado, porque não
foi carne nem sangue, não foi intelecto, teologia, filosofia, junção de
imagens, não foi concatenação, encadeamento de idéias, nem a capacidade de
elucubrações, não foi uma auto-iluminação, auto-genialidade, não foi nada disso
que te revelou essas coisas.
Discernir o que Pedro discerniu é impossível pela teologia e
pela filosofia. Os teólogos tinham de admitir que, por nenhuma teologia se
chegaria à conclusão de que aquele que estava ali – com um metro e setenta,
mais ou menos, moreno ou claro, cabelos grandes ou curtos, com cheiro de macho
– era Deus. Não dava. Pela teologia não dava. Seria idolatria dos sentidos de
acordo com Israel: “ouve, ó, Israel, o Senhor nosso Deus, é o único Deus.”
Imagina eu chegar para vocês Domingo à noite e dizer:
Pessoal, tenho uma revelação de Deus para vocês: eu sou o Cristo! Eu e o Pai somos um! Eu sou Filho de Deus! Vocês
diriam: Ezequiel ficou doido! Coitada de Thayza! Isso é o que dá estudar tanto,
a bíblia diz que a letra mata. No caso dele não matou, mas endoidou. Coitado!
No mínimo eu seria excomungado pela igreja e, encaminhado ao hospício pela
família.
Essa declaração, pela teologia é heresia, pela filosofia é
loucura. O criador do cosmo e de tudo
que existe virar um carinha deste tamanho andando entre nós, dialogando com os
homens, compactando o Eterno, no tempo e espaço? Loucura! Não existe tal coisa.
“Pedro, não foi carne e sangue que te revelaram, mas meu Pai
que está nos céus”. Então ser discípulo de Jesus é algo que começa com a
invasão do sobrenatural na nossa vida. Do contrário, você é apenas discípulo
das igrejas, dos evangélicos, dos católicos, dos espíritas Kardecistas que lêem
o evangelho antes de começar a sessão. Discípulo de qualquer coisa, menos de
Jesus. Nesse caso não se é discípulo de Jesus e sim presépio de discipulado,
que é o que a religião oferece e nós compramos de maneira iludida e equivocada.
Fazer parte do discipulado de Jesus, não é o que a maioria
dos evangélicos entende por discipulado. Uma classe de aula, onde se ensina aos
novos convertidos as doutrinas da nossa igreja. E depois de algum tempo de
aprendizagem, pronto. Está formado. Recebe um diploma de discípulo. Está apto
para o próximo passo. Ser membro. (Não estou falando que isso tudo não é
importante, e que aprender as doutrinas bíblicas são desnecessárias, que o importante
é seu relacionamento com Jesus. Quem me conhece sabe o quanto dou valor ao
aprendizado das nossas doutrinas. E que é impossível um conhecimento saudável
da bíblia sem a prática da meditação e estudo. O que estou falando é que isso
não é ser discípulo de cristo. Pois você pode saber de cor todas as doutrinas
cristãs de carreirinha, e mesmo assim, nunca ter se tornado discípulo do
cristo, ser discipulado de Jesus extrapola qualquer sistematização
doutrinária.).
O discipulado está plantado em nós, quando começa a
confissão de quem Jesus é. Do contrário seguiremos qualquer jesus que está
exposto a venda nas prateleiras do mercado evangélico. Para não corrermos o
risco de sermos enganados por esses jesusis genéricos, é preciso ter uma mente
guiada pelo Espírito Santo e um coração comprometido com a sua palavra.
Mas agora que abordamos a importância do ser discípulo de
Cristo, vamos analisar teologicamente, (Viu que não sou contra teologia nem
doutrinas?), sobre o mistério divino, de Jesus ser ao mesmo tempo, verdadeiro
Deus e Verdadeiro Homem. (claro, no nosso próximo encontro).
Referências bibliográficas.
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