RESENHA: A VIDA INTELECTUAL



A.D. Sertillanges.  Edicões KIRION 

 

VOCAÇÃO INTELECTUAL

Todo aquele que deseja trilhar o caminho do trabalho intelectual, têm que entender que não se pode seguir esse caminho sem ter segurança e compromisso com tal obrigação. Digo obrigação porque uma vida de estudo é pesada e requer do intelectual uma dedicação que poucos conseguirão ter a coragem de prosseguir sem ficar pelo meio do caminho.Nessa peregrinação intelectual é preciso doar-se de todo coração se você quiser que a verdade se doe para você. É um caminho que lhe levará ao verdadeiro caminho, verdade e a vida.  Cristo deve ser o centro de todo aquele que trilha as veredas da verdade. Pois se você ver a vida intelectual como trampolim para promoção do seu status, você está no caminho errado. Desista ou mude sua visão antes que seja tarde demais. A vida intelectual não é somente para aqueles que tem mentes brilhantes; é para todo aquele que ama a verdade, que não vive uma vida na superficialidade abstrata de suas divagações intelectivas. O que vale mesmo é o querer, querer conhecer a verdade e doar-se para ela.  O ser intelectual, apesar de necessitar de momentos a sós, não desperdiçando seu precioso tempo em trivialialidades, com coisas e pessoas que não acrescentarão em nada para seu amadurecimento espiritual, não é uma vida de isolamento. Pois o trabalho intelectual só é útil se dedicado a pessoas, se for um serviço em prol do próximo. A vida do intelectual deve ser uma vida dedicada ao Eterno. E esse mesmo Eterno tem seus parâmetros de nos conduzir a verdade. E tudo começa com algumas virtudes essenciais as nossas vidas.

As virtudes do intelectual Cristão.

Diversas qualidades são requeridas do intelectual além do seu intelecto, pois o intelecto é um instrumento a serviço da formação espiritual. Então, a formação do seu caráter é de extrema necessidade. Pois se o caráter de uma pessoa entra em decadência, terminará comprometendo o sentido da verdade narrada por esse indivíduo. Sabendo que a vida é uma unidade indissolúvel, em que a alma e o corpo trabalham em sintonia, de onde provém essa unidade? Do amor. O amor é o motor que move a existência. É o começo de tudo em nós. Dize-me o que tu amas, e eu te direi quem tu és. Esse amor inexiste sem virtude.  A virtude é a saúde da alma. É impossível cultivar uma vida intelectual sem se preocupar na maturação do seu caráter. Pois aquilo em que pensamos, não pensamos só com o intelecto, pensamos também com a alma. E não dar para pensar de modo verdadeiro tendo a alma doente, o caráter corrompido e o corpo adoecido. Por isso, todo exercício das virtudes morais são indispensáveis para o homem intelectual. É preciso perceber que os inimigos da sabedoria estão em nosso derredor buscando destruir-nos por completo até não restar nenhum resquício de humanidade em nós. Vícios como: orgulho, inveja, estultícia, preguiça, são fatores decisivos para sepultar nossos dons. A virtude essencial do estudioso é a estudiosidade. E para levar a sério uma vida dedicada ao estudo, é preciso negligenciar a negligência e a simples curiosidade. O relaxamento intelectivo não deve fazer parte do caráter de um estudioso. Muito menos a busca da leitura por mera curiosidade ou por ambição de pertencer aos holofotes da vaidade midiática. Se um intelectual tem como meta de vida aparecer como superinteligente nas redes sociais, a vida intelectual não é para ele. Pois ele não passa de um idiota que se acha inteligentinho, mas que no fundo não passa de um farsante iludido. Por isso, para evitar que seu espirito se contamine com essa síndrome luciferiana do orgulho, é um dever moral do prazer, o deleite na oração. O estudo jamais poderá suplantar o lugar do culto. Se você se dedica tanto a sua formação intelectual que não lhe sobra tempo de conversar com o dono do saber, aquele que é a essência da sabedoria, você está caminhando para sua autodestruição. Está se destruindo simplesmente porque o objeto do estudo é nos levar cada vez mais de encontro com a verdade, e a verdade que é o Cristo, só é acessível de joelhos dobrados, como mero seres finitos diante daquele que tem o infinito na palma de suas mãos. Portanto, não abandone jamais a oração e tenha em mente que todo estudo é o estudo da Eternidade.

Organizando a Vida: 

No caminho da peregrinação intelectual é preciso organizar sua vida. Faz-se necessário abandonar, antes da partida, as bagagens que se não forem dispensadas, se transformarão em fardo em sua vida. É preciso reduzir sua vida social. Evitar o excesso de festividades, a recreação desacerbada. Se você consultar qualquer gigante intelectual do passado ou do presente, jamais irá imagina-lo enchendo a cara em um bar da esquina, nem presente em todas as cerimônias. No geral são homens que dispensam o excesso de contingente, pois considera o afã da multidão como interruptora do avanço dos seus projetos.  O desperdício de suas posses em bens materiais, seria mais interessante se investido em livros e ambientes que produzem enriquecimento para seu espirito. O dinheiro não é o objetivo latente da vida do intelectual. Assim como é uma lógica em choque um pastor pregar por dinheiro, é totalmente destrutivo um intelectual barganhar sua vocação por riqueza e fama. A sua vida não é desperdiçada em ninharias improdutivas da existência, como conversas seculares e amizades com quem não tem nada a acrescentar a maturação do seu caráter. Antes, seu prazer está em guardar a solidão. Não de ser um solitário, mas de viver a vida com moderação, pois ele sabe que todas as grandes obras foram produzidas no deserto da existência, e não nos corredores da fama. A solidão permite que você tenha contato consigo mesmo, lhe permite a apreciação do belo, a ouvir a voz do criador balbuciar nos sons silenciosos do existir. A solidão é a pátria dos fortes, o silencio é sua oração. Mas lembre-se: solidão em excesso empobrece a alma. O silencio não deve te levar ao individualismo. Pois uma vida intelectual a serviço de si próprio não é vida intelectual, é orgulho disfarçado de inteligência. A solidão lhe conduz a relacionamentos verdadeiros, te conduz a doses necessárias de ação em prol dos outros.

Remindo o tempo

O pensador é uma pessoa consagrada. Não pode desperdiçar seu tempo com coisas insignificantes. Ele trabalha o tempo todo, mesmo quando está descansando, seu descanso é produtivo. Você também não pode ser obcecado pela falta de tempo. Não pode sacrificar sua saúde em prol de sua intelectual alidade. Pois todo aquele que não considera que uma noite de sono é indispensável para o crescimento intelectual, não está tendo Deus como seu condutor. Está depositando todo seu sucesso do estudo as suas próprias faculdades mentais. O descanso é fundamental.  É a alma que confia no seu criador. Ele deita e pega no sono porque sabe que o senhor cuida dele.

O campo de trabalho.

O intelectual sabe que não é inteligível selecionar uma única esfera do saber e se limitar a especializar-se nela, tendo-a como a única ciência verdadeira. O trabalho do intelectual deve ser comparado, deve ter as interconexões das várias ciências entre si. Pois nenhuma ciência é suficiente por si mesma. Uma disciplina sozinha se encolhe, limita-se a ver o mundo com um olhar míope, enquanto que as relações entre as várias disciplinas ampliam os horizontes do saber. O mergulho aprofundado em qualquer disciplina desemboca em outras, aperfeiçoando o conhecimento de quem faz a busca pela verdade. Pois a verdade não pode ser departamentalizada em uma única disciplina. Toda ciência cultivada isoladamente é imperfeita e torna-se perigosa para todo aquele que a ela depositar sua crença. O homem sábio jamais restringirá sua busca da verdade a um único departamento da ciência.  Mas é preciso perceber também que, todas as ciências sem serem acompanhadas pelas suas mestras, (a filosofia e a teologia) é insuficiente para lhe conduzir ao caminho da verdade.

O espirito do trabalho

É preciso que você ao investigar um assunto de sua preferência, não se esqueça do fervor que essa investigação requererá de você. É preciso esforçasse sempre, buscar sempre. Pois haverá momentos em que você não sentirá nenhum prazer em continuar estudando, tudo se tornará entediante.  Por isso que um dos grandes inimigos do saber é a preguiça. Ela detesta o esforço e despreza a dedicação a verdade. Então, discipline seu espirito a desejar o crescimento perante a verdade. E para crescer, seu espirito deverá está em estado de humilhação. Não cresce intelectualmente aquele que não se desprender das garras do orgulho e não se submeter humildemente aos pés do seu criador. Daquele que lhe deu o dom da vida para que na vida você viva para a verdadeira vida. Ordene seu trabalho para que você consiga se dedicar a ele por inteiro. Se não houver dedicação completa ao seu trabalho intelectual; concentração profunda e comprometida com a verdade, você não passará de um mero diletante literário, que não está preparado para encarar seu trabalho como trabalho divino. Então, cave mais fundo, vá até as profundezas do seu trabalho até extrair as pérolas que só um coração comprometido com a verdade descobrirá. Submeta-se a verdade, pois a verdade só estará disponível a quem esteja decididamente disposto a integrar-se completamente a ela. Essa submissão só é possível mediante um reconhecimento humilde de sua insignificância frente a amplitude do saber. É quando você sabe que não sabe, e sabe que o que sabe, só sabe, porque aquele que tudo sabe, sabe que você não sabe, e sendo Ele dono do saber, sabe e deseja transmitir esse saber para uma alma que anseia por conhecer a verdade como você. Deixe-se penetrar pela verdade, deixe que ela domine sua sede de conhecer. Entregue seu intelecto para aquele que o criou, pois ele sabe como conduzir a sua vida.

A importância da leitura na vida intelectual

 “Filho, há mais uma coisa que eu quero dizer: os livros sempre continuarão a ser escritos; estudar demais cansa a mente. Eclesiastes cap. 12, vs.12”.  

Há muitos que pensam que a vida intelectual se resume a ler livros. Quanto mais ler melhor. Então eles saem por aí numa busca desenfreada, comprando todos os livros que veem pela frente. Depois se consideram os super-leitores por lerem diversos livros por ano. (Reconheço esse pecado no início da minha peregrinação literária). Mas um dos principais conselhos para quem adentra a vida intelectual é ler pouco. Isso mesmo, leia pouco! Ouça o conselho dos sábios. Não foi de modo aleatório que o homem mais sábio do mundo nos deu esse conselho. Ele sabia o que estava falando. Uma vida de leitura desregrada, sem a observação de alguns princípios, terá como consequência o cansaço e o sofrimento existencial. Pois não é nos livros que deve se encontrar a satisfação da sua vida. Os livros são guias que podem lhe encaminhar a verdade, ao encontro daquele que realmente poderá dar satisfação a sua vida. Um bom leitor não é aquele que ler tudo, é aquele que sabe utilizar de modo inteligente a seleção do que vai ser lido. A leitura não deve ser encarada como algo apaixonante, pois a paixão pela leitura, que muitos consideram como uma qualidade preciosa do intelectual é uma tara inútil, não difere em nada das outras paixões por meio das quais sua alma pode ser destruída. Na verdade, precisamos ler inteligentemente e não apaixonadamente. A leitura desordenada entorpece o espirito, não alimenta a alma, pelo contrário, a torna cada vez mais raquítica, sem condições de refletir e tirar lições preciosas do que foi lido. Quando digo que temos que ler pouco, estou me referindo a respeito da redução que você terá de fazer em leituras que não adicionarão em nada ao seu processo de desenvolvimento intelectual. Quantas vezes perdemos nosso tempo em literaturas triviais e insignificantes? Portanto leia pouco, mas ao mesmo tempo, leia muito. Leia muito daquilo que você selecionou como assunto principal do qual você dedicará sua vida ao estudo. Pois não dá para abarcar todos os assuntos do mundo e transforma-lo em seu objeto de estudo. Você tem que ver em qual esfera quer se dedicar, e nessa esfera literária estudar cada vez mais, sem esquecer das outras esferas, pois elas lhe ajudarão a você não ser um especialista idiota que pensa saber sobre tudo tendo conhecimento em parte de um único assunto. Mas a maneira de ler as outras esferas adicionais a sua será de modo reduzido, senão você poderá se perder na diversidade de assuntos. Sabe aquela pessoa que diz saber de tudo um pouco? Na verdade, ela não sabe de nada, pois pensa que ler vários livros sobre diversas temáticas o transformará em um gênio literário. É preciso escolher não só os livros, mais escolher nos livros o que vale a pena ser inserido em sua alma de leitor como importante para você.  Ame os livros eternos que dizem verdades eternas. Não desperdice os clássicos, eles são clássicos justamente por que as verdades neles contidas são verdades que o tempo não consegue apagar. Não se iluda com o novo.  Nesse processo de seleção sempre é aconselhável você consultar algum amigo que antes de você, caminha pelo caminho intelectual ao qual você está principiando. Ouvindo-o, você poderá não cometer erros crassos que podem lhe atrapalhar na sua peregrinação intelectual.  Organize sua memória, selecione aquilo que vale apena reter. Tem coisas que são indispensáveis para ser assimilada e guardada, enquanto outras tem que ser descartadas. “ Pascal dizia que acreditava nunca ter esquecido alguma coisa que quis reter: essa é a memória útil, desde que se queira reter somente o que poderá ser de proveito.” Pag. 153. 

A sua memória não pode se transformar em um caos com excesso de informações desordenadas aleatoriamente, pois a acumulação indiscriminada de assuntos torna inútil e inutilizável a sua memória.  E para que isso não aconteça é preciso saber em que ordem você deverá reter as coisas.  Para reter, busque as razões das coisas que você selecionou, der maior atenção a elas como se fosse seu propósito existencial. O essencial deve ser anotado. Evite o excesso de notas. Só anote aquilo que é importante e que você irá futuramente recorrer a elas. Devemos anotar as coisas pela simples obviedade de que a nossa memória é infiel, ela é falha por ser limitada. Então, nunca confie demasiadamente no seu pensar. Quando alguma ideia surgir enquanto você estiver lendo, anote, pois você poderá nunca mais ter acesso a essa graça dada a você pelo criador. E nunca se esqueça que: “ a fonte do saber não está nos livros; está na realidade no pensamento. Os livros são placas de sinalização; a estrada é mais antiga, e ninguém pode fazer por nós a viagem para a verdade. ” Pag. 149.

O TRABALHO CRIADOR

A vida intelectual não se limita a leitura de livros. Não se pode está somente lendo e aprendendo. É preciso ao longo dessa jornada, criar o hábito de escrever, fazer da escrita o seu mais novo trabalho. Escreva primeiro para você. Não pense nos outros enquanto escreve, é para você perceber quão claro nas ideias tu estás sendo, quão coerente está sendo seu pensamento que deverás escrever. Não se preocupe com uma escrita culta, seja o mais claro possível, para que ao leres o que tu escreveste, ao menos consigas entender tuas ideias. Tudo pode ser simplificado em três palavras essenciais: Verdade, individualidade e simplicidade. Seja verdadeiro com você mesmo. Não queira escrever o que você ainda não domina, simplesmente para mostrar aos outros o que tu não és. Seja você mesmo enquanto escritor. Não queira ser igual a qualquer outro escritor, seja individual e original. Imitar é alienar o pensamento. E por último, permita que a simplicidade guie sua escrita, para que a soberba não domine seu pensamento. Quem nada produz termina vivendo sempre na passividade, reproduzindo o que os outros diz, e nunca tem acesso o seu próprio modo de pensar. Olhe no seu próprio coração e escreva, pois, quem escreve assim sem orgulho, fala na verdade para toda humanidade. “O segredo de escrever é colocar-se diante das coisas ardentemente, até que elas nos falem e determinem por si mesmas o que devemos exprimir. ” Pag. 174. 

Mas para que você seja produtivo na escrita vai ser preciso desapegar-se de si mesmo e do mundo. Não pense em si mesmo, não pense que tudo de que tu precisas está unicamente dentro de você. Você só é um ser que carrega algumas partículas do conhecimento dado como dom a você por Deus. Desapegue-se das trivialidades mundanas consagrando por inteiro à verdade; você deve servi-la e não se servir dela. “Para mim o viver é Cristo” disse o apostolo Paulo, eis um homem vocacionado. Só um verdadeiro intelectual é quem pode dizer: “para mim o viver é a verdade”.  Nunca imagine que a vida de estudo é uma vida fácil, existirá momentos constantes em que o desânimo, o cansaço, ocasionado por diversos fatores vai ser empecilhos para continuidade de sua peregrinação intelectual; quanto isso acontecer, caia de joelhos diante do Eterno, Ele que dar força ao cansado e levanta o abatido, lhe ajudará a se reerguer nesse propósito que ele deu a você. Então seja constante, paciente e perseverante. Sabendo que aquele que começou a boa obra em sua vida é fiel para lhe ajudar a chegar ao seu destino final.  Nunca leve o fardo do pensamento sozinho, nunca comece a fazer algo em que você perceba que aquilo esteja acima de sua capacidade. Altiora te ne quaesieris, não busques o que está acima de ti. Tenha a humildade de reconhecer suas limitações intelectivas. Tu não és obrigado a dominar tudo que existe no mundo. Aquilo que você não sabe, Deus confiou a outros para que você o consulte. Esteja satisfeito consigo mesmo e com Deus a respeito do dom que ele te deu.

O trabalho e o Caráter.

É indispensável o isolamento para se produzir algo, mas o isolacionismo monástico de tudo e de todos levará você a idolatria da solidão. Fará você acreditar que a leitura é o que mais importa no mundo, quando na verdade, aquilo que mais importa na vida não é o conhecimento, é o caráter. Se você se preocupa apenas em ler e escrever e não dedica tempo para desenvolver as virtudes essenciais indispensáveis para a formação do seu caráter, de nada adiantará o acúmulo de conhecimento. Se você trabalha para aquele que é a Verdade e se essa Verdade não é o padrão moral para sua vida, não é a verdade que estás servindo é a idolatria do seu próprio ego que serves. A finalidade da vida intelectual não é a formação acadêmica, é a ampliação do nosso ser, é o desenvolvimento do nosso caráter a imagem e semelhança do Cristo. Não volte as costas para a vida por causa de sua vocação ao estudo, pois Deus deu esse dom a você para que você viva uma vida dedicada a Cristo ajudando as pessoas. Por fim, para que tu sejas feliz enquanto serve a Deus no desejo de ser um intelectual que ele te concedeu, cale-se e humilhe-se diante Dele, seja cético aos seus próprios julgamentos, aceite a correção Divina e corrija suas faltas. Não devemos confiar e depositar nossa confiança em nós mesmos, mas no Espirito Santo que vive em nós, ´pois ele nos conhece melhor do que nós mesmos e saberá nos conduzir ao caminho da verdade com humildade e amor.


  Por Ezequiel Soares


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