Não
sou muito de escrever sobre polêmicas da atualidade, principalmente sobre as
que acontecem no “meio gospel”, todavia, me sinto impulsionado a deixar a minha
opinião acerca do novo debate do momento e que está causando certo burburinho
nos sites evangélicos. O assunto
tornou-se um dos temas mais comentados nos sites populares sobre o clipe da
música “A voz” da cantora de louvor pentecostal, Cassiane. Sendo assim, no que
diz respeito sobre a organização do meu artigo, ele se propõe em analisar apenas
o videoclipe da música através da descrição dos elementos colocados no vídeo, a
repercussão gerada na sociedade e, por fim, meu posicionamento sobre essa
problemática.
A
cantora Cassiane, muito popular no meio gospel, gravou recentemente um
videoclipe que tem gerado muita discussão nas redes sociais, discussão essa que
tem tratado sobre o tema da violência doméstica. É bem verdade que nos últimos
anos o número de crimes contra a mulher tem aumento em todo Brasil ao ponto do
termo “feminicídio” ter sido institucionalizado para o enquadramento do crime.
No entanto, se percebe que muitos não tem se intimidado com tal iniciativa dos
magistrados, o que acaba preocupando as entidades governamentais e gerado cada
vez mais um grande número de pessoas que cometem violência contra as mulheres segundo
os registros dos canais de ocorrência.
No
áudio visual, vemos a história de uma mulher evangélica que sofre diversas
agressões do seu marido e diferentemente da atitude que se espera ser tomada em
um caso como esse, a mulher resolve buscar ajuda em Deus e não por meios de
vias legais. A película produzida pela gravadora MK Music, gravadora da
cantora, tem gerado muita insatisfação por parte de muitos internautas ao ponto
de o vídeo já ter batido a marca negativa de mais de 40 mil deslike, pelo
motivo de muitos acreditarem que o clip romantiza o crime e que o mesmo
incentiva a prática da violência contra a mulher.
Contudo,
a minha opinião é a seguinte: eu não acredito que a produção em destaque no
Youtube incentive a prática do feminicídio ou qualquer outro tipo de agressão
contra o sexo feminino. Primeiro, porque o clip não estabelece que o fato
narrado seja uma regra única para aqueles que creem dessa forma, mas o que vejo
é uma experiência pessoal sendo descrita como narrativa. Além disso, se percebe
que nessa narrativa é demonstrada a experiência que muitas mulheres Cristãs vivem
ou viveram dentro dos seus lares e a ação divina em transformar alguém que vive
no mundo dos vícios e que possui um histórico de agressão.
Eu
sou extremamente contra a agressão e creio que uma esposa pode muito bem
denunciar o seu marido quando algo desse tipo acontece. Sei também que isso
ocorre em muitos lares evangélicos e por falta de entendimento Bíblico não
buscam tomar uma atitude de denunciar o seu parceiro e acabam levando uma vida
de sofrimento e desânimo dentro do seu próprio lar, trazendo para si
consequências horríveis tanto na esfera religiosa como na esfera social. As
mulheres que sofrem com a violência doméstica preferem ficar caladas apanhando
em silêncio a se divorciarem dos seus maridos, pois há um grande preconceito no
ambiente religioso com relação ao divórcio, seja esse divórcio por motivos
Bíblicos ou não, fazendo com que elas não querem ser vistas como maus olhos por
parte do seu grupo religioso.
Com
isso, não quero dizer que sou a favor do divórcio. Vejo que Biblicamente as
Sagradas Escrituras estabelecem alguns parâmetros, o qual o divórcio é
permitido (Mt 5:31-32,1 Co 7:12-16, Ed 9.1) e esses parâmetros visam o bem
estar espiritual e o bom proceder. O divórcio nunca é uma prioridade na Bíblia,
porém muitas das vezes ele é permitido pela dureza do coração humano. Sendo
assim, o divórcio é aceito apenas em três casos: traição, abandono por parte do
incrédulo e quando uma das partes peca contra as leis Bíblicas, como é no caso
de assassinato.
Apesar
disso, mesmo em caso que possibilitem o divórcio a luz da Bíblia pode acontecer
o perdão e o arrependimento e, com isso, o casal voltar à harmonia. O perdão é
sempre prioridade quando se trata de relacionamento e no clip podemos ver isso
nitidamente sendo ensinado, pois a palavra de Deus diz que devemos perdoar (Mt
18:21-22, Mc 11:25-26, Cl 3:13, Ef 4:32).
Segundo
ponto, condenar o clip por trazer uma cena de violência contra a mulher e dizer
que o clip está incentivando a omissão por parte das mulheres é um exagero.
Volto a dizer, o clip não está incentivando a violência, mas está mostrando
algo no campo da experiência e que não deve servir de regra. As mulheres que
são agredidas pelos maridos e sofrem ameaças de mortes devem sim procurar a
justiça para que algo pior não aconteça, sejam elas Cristãs ou não.
Porém
não devemos desacreditar que Deus ainda realiza milagres no meio do seu povo e
esse milagre, dependendo a sua vontade, pode ser a conversão de um marido
violento e cheio de vícios. Quantas e quantas mulheres que um dia passaram por
essa mesma situação descrita no vídeo já não receberam de Deus um grande
milagre? Quantas e quantas donas de casas evangélicas que por muitos anos
oravam por seus esposos não tiveram o privilégios de o ver um dia entrando
pelas portas da igreja chorando e se entregando a Cristo? Deus ainda é o mesmo
ontem, hoje e sempre. Deus ainda faz coisas espantosas, embora, a mídia, os
jornais ou os sites creiam ou não. Ele é Deus!
Concluo
esse breve artigo dizendo que essa obra não passa de um clip, por isso não acho
que ele incentiva ou menospreza qualquer busca de soluções para violência
doméstica por vias legais, mas vejo que o criador dele está mais preocupado em
mostrar uma experiência que é bastante vivenciada no contexto evangélico
brasileiro, independente da violência doméstica. Portanto, sei que é bastante
difícil para quem está de fora da fé evangélica dar crédito naquilo que
chamamos de atos sobrenaturais de Deus, mais popularmente conhecido como
milagres. Um ponto muito importante no clip e que ele acaba passando
despercebido o incentivo a orar pelos seus familiares para que eles se
arrependam dos pecados e se entreguem para Cristo. Muitos já perderam essa
esperança de verem seus familiares, parentes e até amigos salvos em Cristo
Jesus e esse clip vem mostrar justamente isso! Deus ainda salva maridos, filhos
e parente desviados para sua Glória. Deus abençoe a todos!
Por Félix Silva

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