Hermisten
Maia é pastor presbiteriano, teólogo reformado e escritor. Possui Mestrado e
Doutorado em ciências da religião, é professor do seminário Rev. José Manoel da
Conceição, professor do Centro Universitário de Maringá e professor adjunto II
da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Tem experiência na área de História,
especificamente na história da Reforma protestante; com dezenas de Livros
publicados, dentre eles: O Espírito Santo e a Igreja: Segurança, desafio e
esperança; Teologia Liberal: origens, pressupostos e método; A Reforma e a
Escritura: Calvino como leitor, intérprete e pregador da palavra; Introdução a
Cosmovisão Reformada; A Soberania de Deus e a responsabilidade humana;
introdução à metodologia das ciências teológicas e A fé como boa obra e a boa
obra da Fé, todos publicados pela Editora Cruz.
Nesse
Livro, o Autor traz um excelente estudo sistemático e exegético sobre a Fé Salvadora, tendo-a como uma dádiva de Deus, a qual Ele entregou a
nós, não somente a Fé mais as boas obras que essa Fé produz na vida de todo aquele
que nasceu de novo. Em meio a uma crise espiritual, teológica e eclesiástica que estamos
vivendo, onde doutrinas bíblicas são deturpadas resultando em práticas
totalmente contrárias aos padrões Divinos , esse livro nos
traz esperança em saber que ainda existem pessoas comprometidas com a palavra
de Deus e com o Deus da palavra.
Diversas
vezes somos ensinados a pensar sobre a intensidade dimensional da fé, mas, nos
esquecemos que, mais importante que qualquer suposto tamanho da Fé que temos é
o objeto ao qual é depositada essa Fé. Temos fé, mas fé em que, em quem? Qual o
alvo da fé que dizemos possuir? São muitos que têm uma fé cujo objeto de devoção é
a própria fé, em outras palavras, a fé na fé. Mas a nossa fé precisa ter um alvo
seguro, um fundamento inabalável e deve acontecer concretamente em nossas
vidas.
O
Hermisten, começa falando sobre a fé que muitos depositam na ciência. É certo que
todo mundo possui fé em alguma coisa; ela é indispensável para a vivenciabilidade humana.
Todos trazem consigo seus pressupostos existenciais, e baseado neles vivem suas
vidas e passam a ter uma cosmovisão sobre as diversas esferas da existência.
Aqueles que desprezam a fé cristã considerando-a como algo retrógado e
ultrapassado, quando você analisa suas crenças, percebe que são tão infantis e
carregadas de uma espécie de paganismo transvestida de verdade,
que percebemos o quão iludido estão essas pessoas ao pensar que sua cosmovisão
intelectual é mais inteligível e coerente que a nossa. Um dos requisitos que o
homem contemporâneo baseia toda sua existência é a ciência, acontece que a
ciência não têm a pretensão de trazer consigo a verdade sobre tudo e todos. A
ciência não é a chave para entender a vida humana, muito menos é isenta de
erros, ela é apenas um método por meio do qual o ser humano investiga as
verdades provindas de Deus e antes desconhecida dos homens. A ciência absoluta
pertence somente a Deus. Só ele conhece o fim desde o começo, só ele conhece o
começo antes do começo começar a existir, pois foi ele quem criou a própria
existência. Antes do Existir, existir, DEUS já existe, Ele É de Eternidade a
Eternidade. Mas mesmo para fazer ciência é preciso ter fé além da ciência. É
preciso acreditar pressupostamente no objeto da sua pesquisa antes de chegar à
conclusão de que tal objeto é verdadeiro ou falso. Mais se você quiser saber
mais sobre essas problemáticas envolvendo fé e a ciência, é só ler esse livro.
O
autor também vai falar sobre os diversos tipos de Fé e como o ser humano se
relaciona com eles, e além de tudo, como os cristãos confundem as várias
nuances dessas diversidades. Existe a fé
histórica ou especulativa, a qual muitos têm mas não é suficiente para
salvação, pois você acreditar na história bíblica não faz de você um cristão;
existe a fé temporal que muitos têm em cristo de modo transitório,
mas não tem nenhum fundamento, bastando qualquer provação na vida, já abandonam aquilo que antes diziam morrer por ela; dentre outros tipos de
fé, mais é sobre a Fé Salvadora ou justificadora que o autor vai debruçar em seus
detalhes durante todo esse livro.
Do
capítulo 2 por diante, falando sobre as maravilhas dessa Fé salvadora, o Autor
vai, de modo pormenorizado, descrever sobre a natureza dessa Fé, as
características, as evidências, a necessidade que todos temos dessa Fé e os
efeitos que essa Fé proporciona a todo aquele que tem O Cristo como único
Senhor e Salvador da sua Vida. E de modo resumido trarei aquilo que achei de
mais importante dessa leitura.
A
natureza da Fé Salvadora tem tudo a ver sobre nossa salvação e nossa salvação
não está fundamentada na qualidade ou intensidade da fé que temos, mais na
eficácia da obra expiatória que Cristo realizou por nós na Cruz. Temos certeza
da nossa salvação porque quem garantiu e conquistou para nós tamanha dádiva não
foi nossos próprios esforços, mais aquilo que o Filho de Deus fez de uma vez por
todas em nosso lugar na Cruz. E é pelo fato dessa Fé está depositada em Cristo que
podemos descansar seguros em seus braços, sabendo que aquele que fez essa boa
obra é fiel e verdadeiro. Essa fé não é meramente caracterizada de modo
emocional, não depende do que sentimos, digo isso pois em muitos dos nossos
contextos eclesiásticos constituímos a emoção que sentimos em um culto como
norma de fé e espiritualidade. A fé não está para além dos nossos sentimentos
limitados, e graças a Deus por isso, pois nossos sentimentos podem muitas vezes
nos enganar, principalmente em meio a todo esse evangelho de auto-ajuda que
estamos vivendo, cujo importante para o Crente é ser feliz com o que está
fazendo. A verdadeira fé que nos salvou é constituída de três elementos: o
Elemento intelectual, que envolve a compreensão da logicidade daquilo que
Cristo fez por nós; o Elemento emocional cuja ênfase é crer nessas verdades
apreendidas pelo sentido e o Elemento volitivo, onde o coração transformado
pela palavra desejará servir a esse Deus que se revelou a ele.
A Fé Salvadora possui também algumas características, dentre tantas destaco algumas: Ela tem sua origem no próprio Deus. A fé não nasce no coração do homem pecador, ela é produto da graça divina, e se é pela graça é algo totalmente imerecido a nós. Não depende daquilo que fazemos ou pensamos, mais daquele que pensou e fez por nós aquilo que jamais conseguiríamos ou desejaríamos fazer. Foi Deus quem primeiro se revelou a nós. É impossível crer e nos relacionar com um Deus a nós desconhecido. Por nossas próprias capacidades intelectivas, emocionais e volitivas jamais conseguiríamos desejar buscar a esse Deus. Todos os nossos desejos eram justamente anti-deus, vivíamos um ateísmo religioso na prática, mas pela sua infinita misericórdia Deus nos concedeu a Fé que nos salva de nós mesmo, do mundo, do inferno e da ira divina. Essa Fé é direcionada para Deus e sua palavra. Ela não é uma virtude humana, é resultado da extravagante graça divina. Essa fé nos faz adorar a Trindade revelada, nos faz ter acesso ao Pai mediante a obra de Cristo através do Espirito Santo, nos direciona para a centralidade do evangelho que é Cristo.
Uma Fé que não tem Cristo como centro
não é uma fé salvadora, é uma fé em qualquer outra coisa. Cristo deve ser o
centro de todas as esferas de nossa vida, ele deve ser o centro do culto que
prestamos a ele, afinal de contas só existe culto se existir a centralidade da
presença de Cristo em nossa liturgia, caso contrário, se outro nome ou outra
coisa é evidenciada, o que acontece não é adoração mais sim idolatria. Nossos
templos estão cheios de pessoas que tem colocado em evidência seus próprios
líderes, e líderes que evidenciam seus próprios nomes do que o nome e a pessoa
do Cristo de Deus. Sem a centralidade de Cristo não há evangelho. A nossa fé é
sempre um transpirar de nossa teologia, é baseado naquilo que acreditamos sobre
Deus e sua palavra que manifestaremos ao mundo nosso modo de viver seja de modo
coerente com o evangelho ou de modo totalmente contrário a palavra de Deus. Por
isso precisamos resgatar o valor de uma boa teologia, cujo principal objetivo
seja a centralidade do evangelho de Deus. A fé também é resultado da nossa
eterna eleição. Em outras palavras, só quem terá a verdadeira fé é aquele que
foi eleito por Deus. É claro que existe discordâncias quanto a essa afirmação, (O Autor é de linhagem Calvinista, e essa
concepção sobre a salvação é discordante para os arminianos. Para mim não
vejo problema algum, mesmo não concordando com algumas de suas colocações e não
entendendo outras. Não vejo nem o calvinismo , muito menos o Arminianísmo como
pressuposto para uma verdadeira vida centrada na cruz. Alguns vão discordar
dizendo ser impossível não ser calvinista ou arminiano, não ligo muito pra
isso, também não desprezo quem assim queira viver a sua vida. Tenho outras
prioridades no momento. Mais isso fica para outra ocasião), mas independente do que você se considere teologicamente, uma coisa que todos defendemos é que essa fé é resultado do amor
divino manifestado a nós pelo seu filho
na morte expiatória de cruz.
Uma
vez tendo essa Fé algumas evidencias começam a nascer na vida de todo aquele
que têm: Você sentirá um desejo de participar de uma comunidade de fé,
de ser batizado. Essa fé lhe despertará a manifestar ao Mundo o fruto do
amor divino que atingiu sua vida. Você terá um coração fraterno, terá um desejo
de obedecer a Deus e sua palavra, pois quem diz que tem fé em Cristo e não
obedece nem desejo de se alimentar da palavra de Deus é um mentiroso, a verdade não está em seu coração, suas palavras são só evasivas desprovidas de
verdades. Você terá também um desejo ardente de viver uma vida de santificação
na presença de Deus, afinal de contas sem a santificação ninguém verá a Deus. uma vida em santidade é a verdadeira marca de um filho de Deus. Essa
fé nos dá a certeza de nossa salvação e nos faz perseverar até o fim na
presença de Cristo. Ela nos capacita a vencer as tentações do mundo, pois uma
vez que estamos com Cristo não pertencemos mais ao mundo, mesmo assim, nossa
natureza pecaminosa que habita dentro de nós nos faz desejar aquilo que é
contra Deus, e essa Fé nos conduzirá ao arrependimento toda vez que pecarmos.
Portanto a Fé envolve nossa mente, nosso coração, e se manifesta através de
obras produzimos pela graça de Deus através de nossas mãos.
Todo
ser humano necessita dessa Fé se quiser servir a Deus de todo coração, e os
efeitos que essa fé produz em nós além de nossa salvação, é a presença do
Espirito Santo de Deus em nossas vidas. Jamais conseguiríamos vencer o Mundo, a
carne e o Maligno se não fora essa presença maravilhosa . É esse Deus em nós o selo que nos garante a nossa entrada na glória. Ele
é a garantia divina que nos assegura que somos propriedades exclusivas de Deus.
A Fé em cristo também nos garante o perdão de todos os nossos pecados, e esse
perdão que nos veio absolutamente gratuito custou um alto preço, por isso não
devemos ter desejos de viver uma vida na praticidade do pecado, pertencemos a
Cristo e por isso precisamos viver para Ele com todo o nosso ser. É mediante
nosso arrependimento que recebemos o perdão de Deus, já não existirá nenhuma
condenação para aquele que tem sua Fé depositada em Cristo. Sendo assim nem a
morte, nem a vida, nem anjos, potestades, poderes, o mal, poderá nos separar do
amor de DEUS que está em Cristo e que Cristo compartilhou para nós através do
seu sangue. Fomos justificados por Ele, mais mesmo quando pecarmos temos alguém
que intercede a Deus por nós, e é através de gemidos inexprimíveis que o
Espirito Santo ora por nós. Por isso devemos orar sem cessar. É através da
oração que nossas Fé é fortalecida, que encontramos em Deus refúgio para nossa alma cansada, que encontramos perdão, e gloriamo-nos no seu amor.
A boa
obra da fé é, portanto, uma vida de santificação para com Deus. É através de um
viver exclusivo a cristo que o Mundo perceberá em nós cristo sendo pregado. Não
é suficiente verbalizar que crer em Deus, até os demônios fazem isso, diz Tiago.
É preciso pôr em pratica tudo aquilo que acreditamos ser a verdade. Graças a
Deus que o seu Espirito nos capacita a viver essa Fé com obras que glorifica o seu nome.
Enquanto
o Senhor não abrir os olhos dos nossos corações somos cegos, dizia Calvino.
Mas uma vez que a verdade do evangelho foi revelada a nós, nossos olhos foram
abertos, já não somos nós que vivemos é Cristo que vive em nós. Por isso, tu
precisas urgentemente viver de acordo com a vida que Cristo designou para que
seja vivida por ti. Que Deus nos ajude a vivermos o verdadeiro evangelho pela
fé que nos foi dada e que sejamos testemunhas do amor de Deus que fora
manifestado a nós, pra essa geração que a cada dia distancia-se de Deus, procurando ídolos vazios que substitua o desejo pela eternidade que o Eterno
implantou no coração de todo ser humano. Que nossa fé seja luz para esse mundo que vive em trevas.
Um
livro indispensável, o qual indico para todo aquele que deseja ter uma melhor compreensão da verdadeira Fé salvadora.
Por: EZEQUIEL SOARES

0 Comentários