Dificilmente durante a educação do aluno, o professor lhe ensina a trabalhar. O que acontece é no máximo uma simples indicação de livros, uma avaliação de sua atividade e algumas vezes faz algumas correções. Mas nada lhe é dito quanto a maneira como se faz esse trabalho. É justamente isso a proposta desse livro. Nele vamos encontrar uma extraordinária e elegante didática e uma ampla reflexão sobre o trabalho intelectual. Guitton Faz de sua própria história o modelo ideal para todo aquele que deseja trilhar os caminhos de uma vida dedicada ao estudo. Seu objetivo é ajudar você em sua peregrinação intelectual. Destina-se aqueles que diante das várias opções “prazerosas” da vida ainda não renegaram a leitura e a escrita. Também é dedicado aos que já sabem; uma vez que, nessa vida somos todos aprendizes. O desejo do autor é lhe ajudar na labuta de um trabalho com dedicação e compromisso e não lhe tornar mais um famosinho das mídias sociais.
Jean
Marie Pierre Guitton (1902 – 1999) Foi Filósofo e Escritor Francês de grande
influência, autor de diversas obras. Obteve o grau de agregado de Filosofia em
1923, e tornou-se Doutor em Letras em 1933. Sua tese doutoral versava sobre o
Tempo e a eternidade em Plotino e Santo Agostinho. Durante a Segunda Guerra
Mundial, foi feito prisioneiro na Alemanha. Continuou a publicar diversas obras
filosóficas, apologéticas e sobre educação intelectual como: “ O Trabalho intelectual”, Meu Testamento
Filosófico” (Paulinas), O livro da sabedoria e da virtude” (FGV Editora) dentre
outros ainda não traduzidos em Português; por meio dos quais foi reconhecido
como um dos maiores pensadores católicos do século XX.
O
trabalho intelectual tem uma profunda relação com a vida espiritual. A
intelectualidade não deveria em nenhuma hipótese ser desassociada de uma
espiritualidade devocional. Pois a maioria daqueles que se dizem intelectuais dedicam-se
de corpo e alma a máquina de suas profissões sem pôr a mínima parte de seu ser
no trabalho que executam, é apenas mais um serviço e nada mais. Por isso, um dos
primeiros conselhos dado a quem trabalha, antes de abraçar as diversas
manifestações do saber, é conhecer a si mesmo. Se você não se conhece em
profundidade correrá um grande risco de se perder nos emaranhados de ideias
tolas e de propaga-las como um manipulado idiota pensando estar arrasando nos
seus discursos e ideias imbecilizadas. Não desperdice sua vida em produzir
para os outros sem trabalhar no amadurecimento do seu espirito. E depois de se resolver consigo mesmo, saiba ser um bom selecionador naquilo que
você dedicará toda sua trajetória intelectual; não procure entender tudo, você
nunca conseguirá, existe coisas que outras pessoas já pesquisaram por você,
consulte-as e use-as para sua preparação. Sua vida é curta, mas é nessa
efemeridade existencial que você precisa desenvolver o propósito para o qual
você está aqui neste Mundo.
Para ter um trabalho excelente é preciso se dedicar de modo tão intenso que
qualquer resquício de preguiça intelectiva deve ser inimaginável. Mas em que
consiste esse esforço intelectual? Em primeiro lugar não é sobre você sair por aí
lendo todos os livros que encontrar, muito menos não fazer outra coisa a não
ser ler. Não! Tudo começa com um plano,
um “mapa da burrice”, você precisará conhecer aquilo em que você é
ignorante e que sente desejo de conhecer. Sabedor de que não sabes, aprenderás
a planejar como conhecer. Então, quando tudo estiver
disponível, leia e tente expressar as ideias que estão em sua mente, (fruto de
intensa pesquisa e não de vagações intermináveis de sua imaginação infantil),
escrevendo-as. Vá sempre do que você conhece para aquilo que desconheces e
mantenha seu pensamento em uma única coisa, não largue enquanto não
desvendares, se não conseguires, dê um tempo e volte mais tarde quando sua
mente estiver mais relaxada, mais nunca entre em outro estudo antes de concluir
aquilo que está em aberto. Fazendo assim, disciplinarás o seu intelecto a um propósito definido.
Uma
das principais características do trabalho humano é a imperfeição. Somos seres
imperfeitos, que produzem trabalhos imperfeitos, tendo uma visão imperfeita da
realidade perfeita criada por um ser perfeito. Tendo consciência disso é
preciso humildade em reconhecer nossas limitações, mas sem jamais desistir em
nome desse obstáculo de buscar conhecer a verdade. O tempo pode ser nosso
inimigo ou nosso aliado nessa busca. Um escritor, normalmente ama a solidão e
não pode permitir uma presença estranha perto de si, que atrapalhe sua busca.
Por isso Ele seleciona suas companhias e não tem nenhuma pretensão de bancar o
politicamente sociável, ele procura ter perto de si, sempre aqueles amigos que
o ajudarão no aperfeiçoamento do seu espírito e no projeto pelo
qual ele dedicará por toda sua vida.
Um dos
aspectos do trabalho intelectual é também a ordenação de nossas ideias. Virá,
enfim, o dia que será necessário produzir, e esse momento será penoso para sua
alma. Você colocará no papel o fruto do seu pensar, não para ser
reconhecido no meio midiático vigente, mais para exercer sua chamada para a
qual foste convocado pelo Criador. Não espere perfeição no início de sua
jornada. É necessário que tu tomes consciência de tua própria mediocridade por
meio dos fracassos bem sentidos; não é senão depois de muitas tentativas que
perceberás alguma luz em meio as trevas do teu esforço. Não espere a aprovação dos
outros, pois se assim agires, a frustação te dominará antes mesmo de começares o teu trabalho. Se tens algum amigo que esteja ao teu lado nesse
desafio, alegra-te! Os resultados certamente virão, seja quais forem as dificuldades e obstáculos que enfrentares, o mais importante é não desistires da vocação para a qual foste
chamado.
Se
queres mesmo levar a sério essa empreitada, dedica-te a arte da leitura.
Tenha sempre contigo os seus livros de cabeceira, aqueles que sempre poderás
consultar para buscar neles um conselho, clarear tuas ideias e te inspirar
quando sentires desespero invadir a tua alma, e um excelente livro para esse proposito é a Bíblia Sagrada, esse é livro para se ter em todos os
momentos, é o livro por excelência, afinal de contas é a voz de Deus que sempre estará pronto a te guiar durante sua vida.
Durante
o desenvolvimento do teu trabalho é possível te confundires com esse trabalho
em si. Você não é um Teólogo, pastor, Filósofo, Médico ou qualquer outra coisa,
você é a imagem e semelhança do Cristo. Um dos problemas de nossa cultura
pós-moderna é inserir, desde cedo, em nossas crianças, que elas devem crescer
para ser alguém, isso é um terrível erro educacional, você não deve ser alguém,
você já é um alguém, sua profissão não qualifica quem você é, ela apenas mostra
o que estás fazendo nesse mundo como ser humano. O que interessa é que tu
permaneças acima do teu trabalho e que ele te sirva para tua formação, não
deixando que o mesmo ofusque a essência do teu ser. portanto, ame apenas o
que é verdadeiro e tenha cuidado com as mentiras ideológicas cuja única função
é te destruir.
Diversos outros conselhos e instruções práticas foram dadas por Guitton nesse livro, de como fazer sinopses, fichas, tomar notas, classificar o mais importante em um livro, e sobre a relação dos diversos estilos literários. Leia e aprenderás a desenvolver o trabalho de um verdadeiro intelectual. Mais lembre-se: sua inteligência deve sempre está cativa ao Deus que lhe deu o prazer de pensar.
POR:
EZEQUIEL SOARES

0 Comentários